7 de março de 2026
Energia

Duke Energy anuncia construção de usinas a gás e atraso em fechamento de usinas de carvão

Nova estratégia da Duke Energy prioriza gás natural e energia nuclear para atender demanda, reduzindo investimentos em solar e adiando aposentadoria de carvão.

A Duke Energy, uma das maiores utilities dos Estados Unidos, revelou um plano que representa uma significativa mudança de rumo em sua estratégia energética para os estados da Carolina do Norte e Sul. O novo plano de recursos, protocolado junto aos reguladores estaduais, prioriza a construção de usinas a gás natural, estuda a expansão nuclear e decide adiar a aposentadoria de algumas de suas usinas a carvão. Esta revisão estratégica foi motivada pelo crescimento sem precedentes na demanda por eletricidade, impulsionado principalmente por novos data centers e plantas de manufatura na região.

O contexto: fim das metas de redução de carbono e nova demanda

A mudança de planos ocorre em um cenário de transformações regulatórias. O estado da Carolina do Norte recentemente eliminou a exigência legal que obrigava a Duke Energy a reduzir suas emissões de carbono em 70% até 2030. Embora a meta de neutralidade de carbono até 2050 permaneça, a empresa agora tem mais flexibilidade para priorizar confiabilidade e custo. Paralelamente, a utility projeta que a demanda de energia nas Carolinas pelos próximos 15 anos será oito vezes maior do que a taxa de crescimento das últimas duas décadas.

Os pilares do novo plano de energia da Duke Energy

O plano 2025 da Duke Energy estabelece um roteiro ambicioso e diversificado para garantir o suprimento de energia:

Expansão do Gás Natural:

  • Adição de 9,7 GW de capacidade movida a gás natural até 2033.
  • Inclusão de cinco unidades de ciclo combinado e sete turbinas de combustão para atender picos de demanda.
  • Planos para ampliar o armazenamento de GNL para combater a volatilidade dos preços do combustível.

Energia Nuclear em Estudo:

  • Avaliação de dois locais para novos reatores – em Belews Creek (Carolina do Norte) e no Condado de Cherokee (Carolina do Sul).
  • Meta de adicionar mais de 1,1 GW de energia nuclear até 2037.
  • Estudo de ambas as tecnologias: reatores modulares pequenos (SMRs) e reatores de água leve tradicionais.

Atraso na Aposentadoria do Carvão:

  • Extensão de dois a quatro anos da vida útil das usinas a carvão de Belews Creek, Cliffside e Marshall.
  • Justificativa baseada na capacidade de combustível dual dessas unidades e na necessidade de atender o crescimento de demanda no curto prazo.

Redução no ritmo das energias renováveis

Em um movimento que gerou críticas de ambientalistas, o novo plano reduz significativamente o investimento em fontes renováveis:

  • Energia Solar: A meta foi reduzida de 8,2 GW para 7,9 GW, com o prazo estendido para 2033.
  • Energia Eólica: Todas as adições de energia eólica (offshore e onshore) foram eliminadas até 2040, considerada “não economicamente viável” no momento.
  • Armazenamento em Baterias: A empresa mantém um compromisso robusto com baterias, planejando 7,9 GW de capacidade até 2033.

Reações e próximos passos para a implementação

O anúncio da Duke Energy foi recebido com preocupação por alguns setores. O governador da Carolina do Norte, Josh Stein, declarou que a empresa está “recuando do futuro de energia limpa do estado”. Já o grupo ambiental Sierra Club classificou o atraso na aposentadoria do carvão como “decepcionante e inquietante”.

A utility defendeu sua estratégia, afirmando que ela “reflete mudanças significativas de políticas em nível estadual e federal”, incluindo incentivos fiscais federais para energia nuclear e armazenamento, e a flexibilização de regulamentações sobre o carvão.

Os próximos passos incluem:

  • Audiências públicas perante a Comissão de Serviços Públicos da Carolina do Norte ao longo de 2025.
  • Decisão final da comissão até 31 de dezembro de 2026.
  • Apresentação de um plano similar para a Carolina do Sul ainda este ano.

Uma estratégia focada em confiabilidade e custo

O plano da Duke Energy reflete os complexos desafios do setor elétrico moderno: equilibrar a confiabilidade, acessibilidade e sustentabilidade em um cenário de demanda explosiva e políticas em transformação. A opção por uma matriz com maior participação de gás natural e nuclear, em detrimento de renováveis, acende o debate sobre o caminho mais eficiente para uma transição energética segura.

O que você acha dessa mudança de rota? A prioridade deve ser a confiabilidade e o custo imediato, ou a aceleração da transição para energias renováveis? Deixe seu comentário e participe da discussão!

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Henrique Magalhães

Henrique é estudante de Engenharia Elétrica pela UNIVASF, apaixonado por cálculo e física, seu atual hobbie é programação e também estudar sobre tecnologias que funcionem a favor do meio ambiente, principalmente na área de Elétrica.

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