7 de março de 2026
Ciência

Nobel de Física 2025 premia trio que tornou possível a computação quântica

John Clarke, Michel Devoret e John Martinis ganham Nobel por demonstrar tunelamento quântico em circuitos, base dos computadores quânticos.

O prêmio que consagrou as bases da tecnologia quântica

O Prêmio Nobel de Física de 2025 foi concedido aos pesquisadores John Clarke, Michel Devoret e John Martinis por transformarem princípios abstratos da mecânica quântica em tecnologias reais que hoje impulsionam desde celulares até a promissora computação quântica. O trio demonstrou experimentalmente que o fenômeno do tunelamento quântico – onde partículas atravessam barreiras intransponíveis – pode ser observado e controlado em circuitos elétricos macroscópicos, abrindo caminho para toda uma nova geração de tecnologias digitais.

O que é tunelamento quântico e por que é importante?

Na física clássica, quando uma bola atinge uma parede, ela volta. No estranho mundo quântico, partículas podem simplesmente “atravessar” barreiras aparentemente impenetráveis – como se houvesse um túnel. Esse fenômetro, chamado tunelamento quântico, era conhecido teoricamente, mas permanecia confinado ao mundo subatômico.

“O que esses cientistas conseguiram fazer foi basicamente reproduzir isso, mas em um circuito elétrico”, explicou Ulf Danielsson, secretário do comitê do Nobel de Física. “Este premia um experimento que traz o fenômeno para a escala macroscópica, escalas que podemos entender e medir através de padrões humanos.”

A pesquisa revolucionária dos laureados

Nos anos 1980, os três físicos realizaram experimentos pioneiros usando supercondutores para demonstrar que o tunelamento quântico podia ser observado envolvendo múltiplas partículas em escala muito maior que a subatômica. Seu trabalho forneceu as ferramentas experimentais essenciais para:

  • Desenvolver computadores quânticos
  • Criar sistemas de criptografia quântica
  • Produzir sensores quânticos de alta precisão

“É também enormemente útil, já que a mecânica quântica é a base de toda a tecnologia digital”, destacou Olle Eriksson, presidente do Comitê do Nobel de Física.

Os premiados e suas reações

John Clarke (83 anos), professor da Universidade da Califórnia em Berkeley, descreveu o prêmio como “a surpresa da minha vida”. Ele destacou que, na época das descobertas, a equipe estava focada na física fundamental e não imaginava o impacto prático que teriam.

“Certamente não nos ocorreu de forma alguma que esta descoberta teria um impacto tão significativo”, admitiu Clarke, observando que mesmo seu celular – usado durante o anúncio – depende desse trabalho.

Michel Devoret (72 anos) é professor na Universidade da Califórnia em Santa Barbara e professor emérito de Yale. John Martinis (67 anos) também atua em Santa Barbara. Clarke enfatizou a importância colaborativa: “Nunca teríamos ganho este prêmio se eles não tivessem feito todo seu trabalho árduo.”

O alerta sobre investimento em ciência

Como muitos laureados, o trio realizou suas pesquisas nos Estados Unidos, e Clarke aproveitou a ocasião para fazer um alerta sério. Ele criticou os cortes orçamentários para programas científicos anunciados pela administração Trump, afirmando que “vão incapacitar” pesquisas importantes.

“Vai ser desastroso se isso continuar”, disse Clarke à AFP. Eleanor Crane, física quântica do King’s College London, chamou atenção para o “êxodo de cérebros” representado pela ida de Devoret para os EUA, mas observou que “esta tendência está sendo revertida agora com uma nova administração”.

Um legado que moldou nossa era digital

O Nobel de Física 2025 celebra não apenas uma descoberta científica profunda, mas a ponte que três pesquisadores construíram entre a teoria quântica abstrata e as tecnologias que definem nosso mundo moderno. Do funcionamento básico dos celulares às promessas da computação quântica, o legado de Clarke, Devoret e Martinis continuará a moldar o futuro tecnológico da humanidade.

O que você acha do impacto prático da física quântica no seu dia a dia? Acredita que os computadores quânticos vão revolucionar nossa sociedade? Deixe sua opinião nos comentários!

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Henrique Magalhães

Henrique é estudante de Engenharia Elétrica pela UNIVASF, apaixonado por cálculo e física, seu atual hobbie é programação e também estudar sobre tecnologias que funcionem a favor do meio ambiente, principalmente na área de Elétrica.

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