Um alívio para a crise energética libanesa
Em um esforço para aliviar uma das piores crises energéticas de sua história, o Líbano firmou um acordo com o Egito para abastecer sua usina termelétrica de Deir Ammar com gás natural. O Memorando de Entendimento (MoU), assinado em Beirute no dia 29 de dezembro, representa um passo prático na estratégia libanesa de transição para combustíveis mais limpos e na diversificação de suas fontes de energia, atualmente dependentes de caros e poluentes derivados de petróleo.
Os detalhes do acordo e os próximos passos
O acordo foi assinado pelo ministro do Petróleo e Recursos Minerais do Egito, Karim Badawi, e pelo ministro libanês da Energia e Água, Joe Saddi, na presença do primeiro-ministro libanês Nawaf Salam. Saddi explicou que o comércio de gás ocorrerá quando os volumes estiverem disponíveis no mercado egípcio, destacando que “o processo levará tempo porque os gasodutos precisam de reabilitação”.
O foco inicial é a usina de Deir Ammar, uma estação de 465 MW inaugurada em 2002 e localizada perto de Trípoli, que atualmente opera com óleo combustível. A transição para o gás natural, um combustível mais eficiente e menos poluente, pode aumentar significativamente sua produção de eletricidade e reduzir custos. O presidente libanês, Joseph Aoun, classificou o MoU como um “passo prático e essencial” para aumentar a capacidade de geração de energia do país.
O contexto regional: o Egito como hub energético e o papel de Israel
Este acordo não ocorre isoladamente. Ele se insere na ambição do Egito de se consolidar como um hub regional para o comércio de gás natural no Oriente Médio, fornecendo segurança energética a nações árabes. Pouco antes deste acordo, em dezembro, o Egito obteve a aprovação de Israel para um monumental negócio de US$ 35 bilhões, no qual a empresa americana Chevron, em parceria com sócios israelenses, exportará gás do campo de Leviathan, em Israel, para o Egito.
Esse mega-acordo, celebrado pelo primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e apoiado publicamente pelo Departamento de Estado dos EUA, fortalece a posição do Egito como um centro de processamento e redistribuição de gás na região. Embora não have uma ligação direta anunciada, a maior disponibilidade de gás no mercado egípcio cria as condições para que acordos de exportação, como o com o Líbano, se tornem viáveis.
Os desafios pela frente: infraestrutura e financiamento
A implementação efetiva do acordo enfrenta obstáculos consideráveis. O principal é a reabilitação da infraestrutura de gasodutos que conecta os dois países, via Jordânia e Síria, que está deteriorada ou fora de operação há anos. Além disso, o Líbano enfrenta uma grave crise econômica e financeira, que dificulta investimentos.
Um sinal positivo veio em abril de 2024, quando o Líbano assinou um acordo de US$ 250 milhões com o Banco Mundial para modernizar seu setor elétrico, o que pode incluir a adaptação de usinas como Deir Ammar para receber gás natural.
Um passo em direção à estabilidade energética
O acordo de gás entre Egito e Líbano é mais do que uma transação comercial; é um raio de esperança para a população libanesa, que sofre com apagões diários prolongados há anos. Ele simboliza também a complexa teia de cooperação energética que está se formando no Mediterrâneo Oriental, envolvendo Egito, Israel, e agora o Líbano, com o apoio tácito de potências internacionais como os Estados Unidos.
A viabilidade do acordo dependerá de avanços diplomáticos, investimentos em infraestrutura e da superação da crise interna libanesa. Se bem-sucedido, pode marcar o início de uma transformação lenta, porém vital, para o setor energético e para a economia do Líbano.
Você acredita que acordos energéticos regionais como este podem contribuir para a estabilidade geopolítica no Oriente Médio? A transição para o gás natural é uma solução sustentável para crises como a do Líbano? Deixe sua opinião.
