7 de março de 2026
Ciência

Supercomputador simula chip quântico com detalhes inéditos usando 7.000 GPUs

Pesquisadores usaram supercomputador Perlmutter para simular chip quântico com 11 bilhões de células de grade, um marco para o desenvolvimento de hardware quântico.

Um marco na simulação de computação quântica

Uma associação de pesquisadores do Laboratório Nacional Lawrence Berkeley (Berkeley Lab) e da Universidade da Califórnia em Berkeley realizou uma simulação sem precedentes de um microchip quântico, usando mais de 7.000 GPUs da NVIDIA no supercomputador Perlmutter. Este avanço representa um passo crucial no aperfeiçoamento dos chips necessários para esta tecnologia de próxima geração, permitindo aos pesquisadores compreender o funcionamento e o desempenho dos chips quânticos antes mesmo de sua fabricação.

A ferramenta que torna possível: ARTEMIS e computação exascale

No centro desta conquista está o ARTEMIS, uma ferramenta de modelagem em escala exaascale desenvolvida como parte da iniciativa do Projeto de Computação Exascale do Departamento de Energia dos EUA. Os pesquisadores Zhi Jackie Yao e Andy Nonaka da Divisão de Matemática Aplicada e Computação Científica do Berkeley Lab desenvolveram este instrumento para simular electromagneticamente os chips quânticos.

“O modelo computacional prevê como as decisões de projeto afetam a propagação de ondas eletromagnéticas no chip”, explicou Nonaka, “para garantir que o acoplamento adequado do sinal ocorra e evitar interferências indesejadas”.

A magnitude da simulação: números impressionantes

A escala desta simulação é o que a torna verdadeiramente notável:

  • 7.168 GPUs da NVIDIA utilizadas simultaneamente
  • 11 bilhões de células de grade para discretizar o chip
  • Mais de um milhão de etapas de tempo simuladas em sete horas
  • Três configurações de circuito diferentes avaliadas em um único dia
  • Chip físico medindo apenas 10 milímetros quadrados e 0,3 milímetros de espessura

“Não conheço ninguém que já tenha feito modelagem física de circuitos microeletrônicos em escala completa do sistema Perlmutter”, destacou Nonaka.

O diferencial: atenção aos detalhes físicos

O que distingue esta simulação é seu compromisso com os detalhes físicos mais minuciosos. Enquanto outras simulações tendem a tratar os chips como “caixas pretas” devido às limitações de modelagem, a equipe aproveitou o poder de processamento massivamente paralelo do Perlmutter para focar nos aspectos físicos do chip.

“Fazemos simulação física de onda completa, o que significa que nos importamos com o material usado no chip, o layout do chip, como você conecta o metal – os fios de nióbio ou outro tipo de metal – como você constrói os ressonadores, qual é o tamanho, qual é a forma, qual material você usa”, detalhou Yao. “Nos importamos com esses detalhes físicos e os incluímos em nosso modelo.”

A colaboração multidisciplinar por trás do sucesso

Este projeto exemplifica a potência da colaboração científica. Desenvolvedores de algoritmos, especialistas em computação de alto desempenho e físicos quânticos trabalharam em conjunto através do Berkeley Lab, do Quantum Systems Accelerator (QSA) e do Advanced Quantum Testbed (AQT).

“Esta simulação sem precedentes, possibilitada por uma ampla parceria entre cientistas e engenheiros, é um passo crítico para acelerar o projeto e desenvolvimento de hardware quântico”, afirmou Bert de Jong, diretor do QSA.

Próximos passos: do virtual para o físico

A jornada não termina aqui. A equipe planeja:

  • Realizar simulações mais quantitativas para entender o comportamento espectral do sistema
  • Analisar como o qubit ressoa com o resto do circuito
  • Comparar os resultados com simulações no domínio da frequência
  • Finalmente, validar o modelo com o chip físico real quando fabricado

Acelerando rumo à era quântica

Esta conquista na simulação de chips quânticos representa mais do que um marco técnico – é uma demonstração poderosa de como a colaboração interdisciplinar e a computação de alto desempenho podem acelerar o desenvolvimento de tecnologias transformadoras. À medida que refinamos nossa capacidade de modelar e entender os componentes quânticos antes mesmo de construí-los, diminuímos significativamente o caminho para computadores quânticos práticos e confiáveis que poderão resolver problemas atualmente inatingíveis.

O que você acha do potencial da computação quântica? Quais problemas gostaria de ver resolvidos com esta tecnologia? Compartilhe suas perspectivas nos comentários!

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Henrique Magalhães

Henrique é estudante de Engenharia Elétrica pela UNIVASF, apaixonado por cálculo e física, seu atual hobbie é programação e também estudar sobre tecnologias que funcionem a favor do meio ambiente, principalmente na área de Elétrica.

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